PANORAMA - “AMOSTRINHA” DE PANTANAL COM AMAZÔNIA Imprimir

Quem já teve o prazer de batalhar em busca de Dourados pantaneiros, sabe como é “dura” a lida porque o bicho é matreiro e lutador. A viagem para o Rio Paraguai, via rodoviária, é longa e cansativa. O calor não dá refresco nunca, nem mesmo à noite.

Por outro lado, quem foi a algum dos rios amazônicos pensando no Tucunaré, também sofreu as agruras dessa empreitada: preço alto das estruturas (barco-hotel ou pousadas), custo aéreo também “pesado”, vários dias fora de casa, raramente dá para trazer peixe, e, em comum com o pantanal, o calor de rachar a cuca.

Agora, uma boa notícia:
Dá para fazer as duas pescarias acima, num mesmo local e a preço muito em conta, sem ficar muito tempo longe de casa.

A cidade de Panorama fica no Estado de São Paulo, às margens da Represa Porto Primavera (Eng. Sérgio Mota), criada no Rio Paraná a partir da divisa Oeste dos Estados do Paraná e São Paulo. É o maior paredão brasileiro represando águas, com mais de 10 km. de extensão. É muita água mesmo. Imagine o que é um reservatório com 17 km. de largura de água, onde antes havia cidade, fazenda, rodovia. Agora, complete essa “visão” com 180 km. de extensão, acabando exatamente aos pés de Panorama.

Aquela cidade virou centro turístico da pesca porque seus hóspedes podem usufruir de dupla pescaria, hospedando-se no confortável PARANOÁ CLUBE HOTEL, que tem infra-estrutura para acolher o turista pescador e seus familiares, possui uma boa área de recreação, com piscina, toboágua, passeio de barco, etc. Confira no site www.paranoaclube.com.br.

Os Barcos e Piloteiros:
A maioria dos Piloteiros daquele hotel são contratados com seu próprio equipamento. O que vimos foram barcos e motores bons, de 35 a 40 HP, o que garantiu agilidade e muito mais tempo útil de pesca por dia, ao contrário das experiências anteriores, noutros locais. Pessoal bem treinado, egresso da pesca artesanal antes da CESP inundar o reservatório para gerar energia elétrica. Alguns aproveitaram bem a indenização recebida e adquiriam ótimos conjuntos lancha-motor-motor elétrico e hoje prestam excelente serviço de guia turístico, sempre estimulando a pesca consciente e, quando recomendável, a liberação de exemplares. Também limpam e encaminham ao freezer os troféus dos turistas.

A Pescaria e os Peixes:
Como nossa viagem Floripa-Panorama, em ônibus-leito, deu exatos 1025 km. e foi noturna, logo na chegada pegamos o desjejum e iniciamos a pesca na região frontal à hospedagem, para poder retornar para o almoço e depois, tirar uma pestaninha para recuperar as forças e fugir do forte calor que atingia a região. Alguns Tucunas foram capturados.

À tarde, pelas 15 horas, todos partiram para mais uma rodada de Tucunarés, inclusive descendo em direção ao “paliteiro” de galhadas, celeiro de bons exemplares.

A estratégia do segundo dia era mais arrojada: subir o Paranazão em busca de Dourados, Piaparas, Pacus e Corvinas-da-água-doce (Corvina do Piauí). Seis da manhã, café reforçado e as Van aguardando o povo para ir até o trapiche, onde os Piloteiros aguardavam com tudo prontinho.

A viagem de subida foi muito bonita, com aves e peixes dando sinal de vida para todo o lado. Até um enorme Jacaré se espreguiçava debaixo da obra da nova ponte interestadual que ligará Paulicéia (SP) à Brasilândia (MS). Naquele trecho, o Paraná está em seu leito natural, com aproximadamente 2 km. de largura. É onde inicia o império dos Dourados.

Mais adiante, um série de “flutuantes” do tipo casa-de-veraneio margeava o Rio, alguns dos quais com padrão cinco estrelas, com direito à antena parabólica, aquecedor solar e varanda com telinha anti-insetos (aliás, quase não vimos mosquitos no rio).

Porém, nosso propósito era mais audacioso porque envolvia a pesca e um almoço campal numa fazenda à beira-rio, a 25 km. acima de nossa hospedagem. Vinte hóspedes e dez Piloteiros fizeram a festa nos peixes e depois, em torno das churrasqueiras.

Naquele dia, alguns foram para a Piapara e para o Pacu, que são pegos com milho cevado, fisgado em anzol pequeno. Quem queria pescar mais pesado visando somente o Pacu e o Piavuçu, colocava um Caranguejo ou um Caramujo num anzol um pouco maior.

Este tipo de pesca é com o barco apoitado, guarda-sol montado e sempre animado por um bom bate-papo, porque a “comunidade” que se aglomera nos pontos cevados conta com uma dúzia de lanchas, em média.

Já os aficionados do Dourado não perderam tempo e foram a algum dos diversos pontos de sabido resultado positivo. É com isca de Tuvira, na rodada eventualmente apoiada pelo motor elétrico, que se desenvolve a rotina em cada pesqueiro desses. Ninguém se atreve a ligar um motor no meio do pesqueiro para não espantar o peixe. Raramente sai alguma coisa diferente do Dourado, mas tivemos Palmito, Mandi, Piranha, mas nenhum Pintado quis aparecer.

Muito poucos tentaram iscas artificiais, porque a estrutura do fundo – conhecida dos Piloteiros mais antigos, antes da formação do reservatório – recomendava muita cautela devido às pedreiras. Assim, mesmo pescando com chumbo leve, de vez em quando alguma Tuvira se perdia, com material e alguns metros de linha junto.

O silêncio da rodada era quebrado a partir das 9:30 hs., quando o Dourado começava a dar as caras e algum “sortudo” botava a boca no mundo para comemorar a captura (ou maldizer a perda). Isto se estendia até após as 13 horas, no auge do calor.

Tivemos exemplares de 12 Kg., mas quem olhar a recente Revista PESCADOR nr. 0060, poderá conferir na página 16 um Dourado com 20 Kg., ali capturado há pouco tempo.

No terceiro e quarto dia à tarde, a turma se espalhou pelo rio acima, pelos mangues (à frente do Trapiche) ou pelo “paliteiro”, até que a formação de um temporal de várias frentes fez o povo correr mais cedo para casa, frustrando nossa pescaria vespertina. Foi uma pena, porque havíamos destinado à pescaria de Tucunas aquelas duas tardes.

Conclusão:

O lugar é ótimo, na verdade, “um achado” para quem só conhecia estrutura de Tucunaré em Presidente Epitácio e de Dourado de bom porte no Pantanal e na Argentina (atenção: a Província de Corrientes proibiu a pesca do Dourado, para 2008).

Vale a recomendação de planejar bem a pescaria, para evitar consumo exagerado de combustível. Pescar Tucunas é mais próximo e menos dispendioso, mas ao menos um dia, das 10 às 14 horas, arrisque um tiro mais longo até o ponto dos Dourados, que os Piloteiros saberão indicar. Pode-se aproveitar melhor o consumo realizado e pescar Pacu e Piapara na mesma subida. Para quem não quer Dourado, vale a dica de que a Piapara também pode ser capturada mais próxima do Trapiche de saída.