PESCARIA EM CÁCERES - MT, de 23 a 30 Junho 2007 Imprimir

O Rio Paraguai nasce no Brasil, a noroeste do estado do Mato Grosso, sendo formado pelos pequenos rios Sepotuba, Paraguaizinho e Cabaçal, passando pela cidade de Cáceres já com boa formação de água. No período das cheias (dezembro a abril), é totalmente navegável.

Na seca, principalmente a partir de setembro, o tráfego das grandes chatas graneleiras fica seriamente complicado. Como no estado sua maior estrutura de navegação turística está em Cáceres, é natural que os barco-hotéis desçam seu curso, em busca de pesqueiros e de atrações naturais, para deleite dos turistas.

Foi o que fizemos na semana passada, depois de meses de preparação, reforçada por 2 jantares na sede do ICSC - Veleiros da Ilha. Embarcamos pela TAM em Floripa, com escala em S. Paulo. Em aproximadamente 5 horas já desembarcávamos em Cuiabá, onde nos aguardava um confortável ônibus para o traslado até Cáceres, a 210 km. de distância. Cervejinha, mineral e refri à bordo, pudemos usufruir do primeiro ambiente exclusivo do grupo. Seguimos pela rodovia BR-70, que liga a capital mato-grossense ao estado de Rondônia. Chegando ao porto de embarque, fomos apresentados ao Sr. Luiz Mário, proprietário do Barco-Hotel IEIÉ, e também à tripulação (Capitão Romildo, Mecânico Paulinho, Taifeiro Antônio, Chef Chiquinho e seu Ajudante Dentinho). O barco já estava pronto para zarpar, assim que carregado com nossos pertences. A tralha mais pesada foi colocada pelos piloteiros no Deck Solarium (terceiro andar do Barco-Hotel). Vejam a foto dele www.barcoieie.com.br. Leva 8 lanchas, 8 piloteiros e hospeda confortavelmente 16 pescadores.

Cada dupla foi instalada em um alojamento tipo suíte, com banheiro, frigobar, chuveiro com misturador de água quente/fria, ar condicionado e beliche.

A descida do Rio foi suave, iluminada pela Lua que entrava em sua fase Crescente. Alguns já procuravam o "berço" para acalmar a ansiedade, outros não perderam tempo e começaram a abrir suas maletas para ajeitar tudo antes de dormir.

No meio da manhã, já a vários quilômetros rio abaixo e após se servirem do gostoso café da manhã, foi a vez de cada um conhecer seu piloteiro, sorteado para não deixar ninguém com desculpas no final da jornada. Logo as lanchas começaram a ser liberadas para rumar para o Rio Jauru, um pequeno rio com galhada por todos os lados e conhecido como o rio dos Dourados. Depois de umas duas horas de lançamento de iscas artificiais ou de pesca fundeada com isca de Tuviras, as lanchas retornaram ao Paraguai para alcançar a nave-mãe, que havia deixado um rastro bem convidativo ao passar pelo foz: o cheiro agradável de comida pronta.

Até chegar a hora da refeição principal, muita história de "bateu", "quase ferrou", "arrebentou a linha", "veja a foto da soltura", tudo regado a variado tira-gosto de peixes e cervejinha. Para muitos, foi o primeiro contato com peixes de água doce. A Piranha foi preparada de 3 modos diferentes: caldo (que dizem ser afrodisíaco), torresminho e costelinha. Excelente! E o melhor, sem espinha. Petisco de Jacaré também foi servido, com aprovação geral.

O bufê servido nos almoços e nas jantas não deixou nada a desejar aos melhores restaurantes. Ao longo dos dias, comemos carnes de cordeiro, porco, frango, peixes (Pintado, Cachara, Dourado, Barbado e Palmito), num verdadeiro desfile de gostosuras. E as sobremesas...

E teve até festa de aniversário à bordo, com direito a um bolo especialmente preparado pelo Chiquinho, fotos e abraços extensivos a todos os aniversariantes do mês.

Depois do almoço, todos pra caminha, ar condicionado a pleno, pois antes das 15 horas o calor era de fundir a cuca. Quem não estava à fim, ficava jogando cartas ou batendo papo no Deck Solarium.

À cada noite, o Bresolin fazia a transferência das fotos e filmetes do dia para o laptop do Mauro. No último dia de pescaria, tinha 5 giga para jogar num DVD. Esse material será divulgado em nosso site www.floripesca.tur.br. Também meu GPS registrou toda a movimentação do Ieié, em seus mais de 420 km. de deslocamento

Após a pesca no Jauru, passamos "direto" pela Ilha do Tucum, lugar que, na cheia, apresentou excelente potencial para Pintados e Cacharas, mas que nos últimos dias não vinha correspondendo, segundo os piloteiros. O próximo ponto, chamado de Barranco Vermelho, é uma confluência de águas meio agitadas e se mostrou bem interessante, com captura de vários Jaús, Pintados e Cacharas, todos abaixo da medida. A surpresa foi uma Tuvira gigante de uns 70 cm que o Marcos levantou, fotografou e devolveu às águas. De quebra, muita Piranha de bom porte, para o caldo daquela noite.

Ao final da tarde, o Morro Pelado nos brindou com 4 bons Pintados, 3 Barbados e 1 Palmito, todos "na medida". Muito peixe foi solto ali, inclusive um Pintado com medida que o Marcos liberou, em louvável mostra de consciência ecológica. Seguindo rumo ao Sul, clicamos o Ninhal de Garças e Colhereiros - aquelas branquinhas e estes, rosáceos -, que se estendia por quase 1 quilômetro de galhadas à margem direita. Com a chegada à região de areias amareladas em alguns pontos do rio, fotografar montões de Jacaré, Tuiuiú e Biguá era muito fácil.

Concluímos o Domingo, primeiro dia de pesca, com muita foto, 8 peixes de medida retidos e mais 19 liberados, sem contar as dezenas de Cachorras e Piranhas. Nada mau, para iniciar a semana.

Na Segunda, o Tempo começava a esfriar e nublar, para complicar nossa alegria. Nenhum Dourado ousou botar a cara para fora. Com o pouco peixe pela manhã, decidimos iniciar a travessia da Reserva, área de Proteção Integral, denominada Estação Ecológica de Taiamã, uma Ilha de mais de 14.300 hectares. Vejam maiores detalhes em http://www.amazonia.org.br/guia/detalhes.cfm?id=13080&tipo=8&cat_id=44&subcat_id=184 . Aproveitamos assim o horário "morto" do almoço, numa viagem que ficará para sempre na memória de todos. São 59 km. de curvas do rio Paraguai, num trecho mais estreito que o habitual, em cenário rico de fauna e flora. Até duas Onças Pintadas apostaram corrida com o Ieié e alguns as fotografaram. Motivo para usar as câmaras sempre tinha: Ariranha, Anta, Lontra, Macaco, Jacaré, aves de todos os tamanhos e cores, além de peixe saltando abusadamente ao lado do barco. Falando em ave, o destaque fotográfico ficou por conta do Tuiuiú, ave-símbolo do Pantanal, e da gigante Anhuma. Enfim, de uma tarde que prometia decepção na pesca, fizemos excelente "limonada", enchendo os olhos com o mais singelo colírio natural. Quem agüentou o Vento Sul no rosto, ficou no Deck Solarium, numa vigília sempre premiada de bons momentos e lances inesperados. Em certo momento encontramos grande alagado, cuja água contrastava fortemente com a cor da água do rio Paraguai. "Seria" um lugar ideal para capturar os grandes predadores, porém, Reserva é Reserva.

Por coincidência, os últimos momentos de Sol (e põe poente lindo no Pantanal) foram muito bem aproveitados para ancorar o Ieié já na parte de pesca permitida, do outro lado daquele Éden brasileiro. Como ninguém é de ferro, após 4,5 horas de jejum sem pescar, fomos para os vários corixos e enseadas que se descortinavam à nossa frente, pois a janta ainda estava sendo preparada . Quem mais gostou de nossa visita àquela hora foram os mosquitos, muito ativos durante uns 45 minutos. Num dia de "meio expediente", embarcamos 6 e liberamos 71 peixes, inclusos 27 Palmitos pequenos, embora a legislação no fixe medida para a espécie. Valeu pelo espírito esportivo e pela briga que aqueles bocudinhos promovem, saltando como se fossem Dourados.

Na Terça, foi uma festival de capturas, com 58 embarques e 103 solturas, inclusive com liberação de Barbados grandes. Por razões óbvias, deixamos de contar Piranhas, desde o primeiro dia.

Na Quarta, alguém lembrou que a valerosa Seleção Brasileira iria fazer estréia na Copa América contra o Chile. Foi montando um plano de emergência porque o programa seria pescar até o anoitecer e viajar de volta durante a noite. Venceu a torcida organizada (sem saber do fiasco que o Dunga estava patrocinando). Pescamos até o meio-dia, com 32 capturas e 47 solturas. Lanchas erguidas no Turco e almoço quase pronto, zarpamos para a última olhada naquela maravilha. Pelas 15:30 hs., para ganhar tempo e ainda poder pescar naquela tardinha, 5 Lanchas saíram equipadas para cobrir os 40 km. que faltavam para sair da "zona proibida". Navegando à sombra de enormes Aboboreiras (árvores com floração cor de abóbora), pudemos olhar "de baixo" o que antes se havia contemplado de camarote, lá do terceiro andar do Ieié. Muita vida, onde quer que se olhasse. E muitas fotos também, para registrar o poente, que estava fortemente dourado.

Já estava escuro quando apoitamos as lanchas no barranco da Piuva. Logo, outra surpresa: cadê o peixe grande? Foram muitas ferradas e solturas, sendo a nossa dupla a campeã daquele fim-de-dia, com uma bonita Cachara na medida e um Jaú que só não chegou lá porque era curto-e-grosso (muito pesadão, para seus 87 cm.). Restou-nos a lembrança da cabeçada que ele deu no equipamento do Itamar, que sabe como tratar com um destes (sua maior captura de Jaú é de 42 kg.).

No final da Quarta, com o Barco-Hotel apoitado para pernoite na Piuva, nos assoberbou grande preocupação com a saúde do Luiz Darci, acometido de uma crise de retenção urinária aguda, imediatamente diagnosticada e medicada preliminarmente pelos médicos do grupo (Dr. Medeiros e Dr. Marcos). Sim, não é qualquer grupo que tem o privilégio de ter 2 (bons) pescadores que são também "homens de branco". Passado o susto inicial e tudo aparentemente sob controle, o jantar foi servido durante aquele jogo medíocre de nossa Seleção.

Na Quinta, às 05:30 hs (horário oficial da alvorada festiva, menos para o Rodrigo...), a reavaliação médica do paciente constatou que houve forte recidiva do problema, inspirando cuidados imediatos em lugar com maiores recursos, sob pena de comprometer os rins.

A partir daí ficou mais uma vez provada a tese de que distância, interesses comerciais, projetos pessoais ou qualquer outra coisa se tornam insignificantes diante da verdadeira corrente de solidariedade que se instalou em torno do caso. O Capitão Romildo - que na noite anterior já antecipara à operadora da Central de Rádio de Cáceres de que haveria a possibilidade de uma emergência a qualquer momento - realizou novo contato com a Central em horário extra para que pudéssemos preparar tudo em Cáceres, onde o Sr. Luiz Mário providenciou um táxi aéreo e um médico, o traslado do aeroporto municipal e a internação hospitalar. Simultaneamente, foi requestada ao Barco-Hotel Pantanal Vip uma Lancha com motor potente para o deslocamento fluvial até a pista da Fazenda Morrinho. A lancha foi preparada com muito cuidado com um colchão, instalado sobre uma montanha de coletes salva-vidas, de sorte a minimizar a dor na região afetada. Resumindo, em menos de uma hora já recebíamos pelo rádio a boa notícia do desembarque e do apoio médico.

Naquele dia, seguindo o caminho da volta, as Lanchas se dispersaram com o compromisso do almoço conjunto no Morrinho, onde o IEIÉ faria uma parada mais longa. Alguns tiveram capturas de Cacharas, Palmitos, Barbados, Dourados e até um Pacu apareceu na parada, já por conta do aumento do calor. Porém, a grande surpresa estava por acontecer no Morro Pelado, onde a dupla Medeiros/Cocal emplacou 4 Jaús, os maiores com 17,5 Kg. e 13,5 Kg. Não deu outra: depois do almoço todos voltaram uns 3 quilômetros para conferir de perto esse poço, que tem uma pedreira no fundo. Foi uma perda doida de material porque o sistema era de rodada, igual ao que aqui adotamos para pescar Garoupa no Shad. Só que a isca era um peixe preto da família do Cascudo ou Acari. Naquela tarde, mais de 20 Jaús bateram, com embarque de mais 2 na medida, soltura de 5 sem medida e de 1 na medida.

Na Sexta, último dia de pescaria, alguns voltaram ao Morro Pelado, ferrando mais uns 15 em 3 horas de pescaria. Desses, 6 foram embarcados e liberados porque nenhum deu medida, mas a adrenalina foi grande, afinal, soltar peixe com mais de 10 kg. é um luxo a que poucos têm acesso.

Como o BH já havia zarpado rumo à Cáceres sem previsão de parada, foi uma corrida para os retardatários, enquanto outros já pescavam à frente do mesmo. O calor estava insuportável, mesmo assim alguns pescaram no Rio Jauru até o meio-dia e no Retiro Velho e no Poço do Renato, das 16 às 17:30 horas. Todos os peixes do dia foram soltos, pois não tinham medida mínima.

A estatística global da jornada foi a seguinte:

Jaú - 16 ferrados, com 12 liberados

Pintado - 51 ferrados, com 45 liberados

Cachara - 21 ferradas, com 15 liberadas

Dourado - 10 ferrados, com 9 liberados

Barbado - 78 ferrados, com 55 liberados

Palmito - 154 ferrados, com 50 liberados

Pacu - 1 ferrado e liberado

Cachorra - 51 ferradas e liberadas

Armau - 8 ferrados e liberados

Cascudo - 1 ferrado e liberado

Tuvira gigante - 2 ferradas e liberadas

Total: 393 ferrados, 144 embarcados e 249 liberados

Nota: teve dupla que liberou todos seus peixes, mesmo os de medida. Outras duplas, com a cota feita, liberaram 2 Jaús, 3 Pintados, 2 Cacharas e 12 Barbados, todos de medida. Os Palmitos não tem medida mínima, mas muitos foram soltos também, para preservação da espécie.

As duplas foram assim constituídas: Pedrinho/Firmino, Sachet/Edgar, Luiz Darci/Abelário, Marcos/Rodrigo, Itamar/Adão, Mauro/Bresolin, Medeiros/Cocal e Macedo/Rodolfo.

No encerramento da jornada, houve premiação ao captor do maior peixe (Medeiros, com Jaú de 17,5 kg.) e de seu piloteiro, Ivan. Parabéns a ambos.

Neste momento, estou fazendo a seletiva no DVD, após a depuração que o Bresolin fez. Mesmo depois do desbaste inicial, ainda restam no disquete 1527 fotos + clipes para selecionar por tema, editar e colocar no site www.floripesca.tur.br , fato que avisaremos a todos quando concluído.

Nos resta agradecer a todos os que acreditaram nesta pescaria e confiaram em nossa proposta. Igualmente, nosso carinho e um até breve a todos os que nos acolheram em Cáceres e à bordo do IEIÉ. Nossos votos de restabelecimento ao companheiro Luiz Darci, que passou por momentos de aflição e que agora centra seus esforços para superar as dificuldades. Finalizando, reiteramos nossa gratidão a todos os que concorreram para minimizar a dor e o sofrimento do Luiz Darci, particularizando a atenção dada pelos médicos-pescadores, Dr. José Manoel Medeiros e Dr. Marcos Gerente, pelo Capitão Romildo e seus comandados, pelo nosso grande anfitrião e proprietário do BH IEIÉ, Sr. Luiz Mário e pelo parceiro de dupla e alojamento do LDR, Abelário, presença constante desde o primeiro momento de crise.

Até a próxima!