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O Projeto Polvo estuda as populações do polvo comum (Octopus vulgaris) em nosso litoral, tendo como uma de suas atividades a marcação dos animais. Para que este estudo seja eficaz, as pessoas que capturarem polvos marcados precisam entrar em contato com o Projeto, passando informações (o telefone está no fim do texto). Por enquanto, marcamos polvos em Ubatuba e no Guaiúba (Guarujá).

PS: Dica do Projeto Polvo: O cloro usado na caça submarina pode ser substituído pelo sal, pois em concentrações elevadas (superiores a 100 %o) o efeito é o mesmo e o dano ambiental é minimizado.

O que é o Projeto POLVO:

O Projeto POLVO foi criado no Instituto de Pesca (órgão da Secretaria de Agricultura do Abastecimento do Estado de São Paulo) com o objetivo de estudar a Biologia Pesqueira da espécie melhor representada deste molusco Cefalópode nas capturas das frotas pesqueiras. É desenvolvido com a colaboração do Departamento de Ecologia do Instituto de Biociências da Unesp (Rio Claro/SP), do Departamento de Biologia Animal e Vegetal do Instituto de Biologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), além de outros. Recebe apoio financeiro da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), FBPN (Fundação Boticário de Proteção da Natureza), Fundação MacArthur e do CNPq.

Das espécies de polvos das regiões Sudeste e Sul do país, a mais comum representa cerca de 90 % das capturas comerciais registradas pela estatística de produção pesqueira desembarcada no Estado de São Paulo (controle realizado pelo Instituto de Pesca). Em geral, essas capturas ocorrem nas embarcações de arrasto de portas que buscam primordialmente a captura de camarão-rosa. Paralela a essa, uma incipiente captura (em volume), realizada pela pesca submarina junto aos costões e ilhas, vem sendo documentada (alguns empregam cloro para favorecer a expulsão do polvo de sua toca).

Os polvos são organismos tido como bem inteligentes, capazes de um aprendizado rápido. Existem espécies que possuem uma substância venenosa poderosa, dezenas de vezes mais forte do que a cocaína, que pode matar um homem adulto em até dois minutos (essas não ocorrem em águas brasileiras). Uma curiosidade no ciclo de vida de praticamente todas as espécies de polvos é a morte após completar a desova (fenômeno conhecido como semelparidade). A fêmea após fecundada se desloca para um refúgio amplo onde aos poucos libera os ovos de forma elíptica dispostos em cachos mantendo-os envoltos em um muco junto ao teto do refúgio, caracterizando uma postura. Até a eclosão desses ovos, ela não abandona o local, mantendo-os sempre bem oxigenados (pelo deslocamento rítmico de água promovido por um de seus braços) e livres de predadores. Como não se alimenta nesse período - que pode se estender em até 45 dias, definha até perecer. Após a eclosão os polvinhos passam de 3 a 5 semanas dispersos no plâncton até a fase juvenil quando então se agregam ao fundo.

No Projeto POLVO são avaliados a reprodução da espécie (época, fecundidade, proporção de fêmeas maturas, etc.); as variações em suas dimensões (em comprimento e em peso) ao longo do tempo para cálculo da longevidade, sobrevivência e taxas de mortalidades natural e por pesca; o dimensionamento da população e a estimativa de uma captura sustentável, procurando elencar subsídios para um ordenamento adequado da sua captura. Coletas de tecidos também vem sendo efetuadas para avaliar geneticamente eventuais diferenças entre populações. Alguns indivíduos vem sendo marcados para avaliar migrações e estimar a taxa de mortalidade natural. As amostragens vem sendo realizadas em diversos pontos do litoral das Regiões Sudeste - Sul do Brasil, seja na pesca comercial, seja no emprego de potes e armadilhas experimentais, atividade essa que envolve alguns pescadores e mitilicultores do litoral norte paulista.

Estudos complementares visam ao desenvolvimento de técnicas alternativas de captura, principalmente dirigida aos pescadores artesanais. Estas técnicas vem sendo testadas empregando-se materiais de baixo custo, e os resultados preliminares mostram-se bastante favoráveis.

A equipe do Projeto POLVO é multidisciplinar e multinstitucional, sendo constituída por oito pesquisadores e estagiários:

Acácio Ribeiro Gomes Tomás, Pesquisador Científico IV do Centro de Pesquisa Pesqueira Marinha do Instituto de Pesca, Mestre em Zoologia e doutorando em Zoologia da Universidade Estadual Paulista, Campus de Rio Claro;
Miguel Petrere Jr., Professor Doutor do Departamento de Ecologia da Universidade Estadual Paulista, Campus de Rio Claro;
Maria de los Angeles Gasalla, Pesquisador Científico III do Centro de Pesquisa Pesqueira Marinha do Instituto de Pesca, Mestre em Oceanografia e doutorando em Oceanografia do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo;
Marcus Henrique Carneiro, Pesquisador Científico I do Centro de Pesquisa Pesqueira Marinha do Instituto de Pesca, Mestre em Oceanografia;
Sonia Barbosa dos Santos, Professor Doutor do Departamento de Ecologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro;
Roberto William von Seckendorff, Pesquisador Científico III do Centro de Pesquisa Pesqueira Marinha do Instituto de Pesca, Especialista em Tecnologia de Pesca;
Alexandre Wagner da Silva Hilsdorf, Professor da Universidade de Mogi das Cruzes, Mestre em Aquacultura e Pesca e Doutor em Fisiologia;
Valéria Cress Gelli, Assistente Técnica, Núcleo de Pesquisa em Pesca e Aquicultura de Ubatuba;
Giovanna Cristina Rinaldi e Juliana Lourenço de Menezes, acadêmicas de Biologia, estagiárias do Projeto.

Entretanto, estudo tão amplo somente será viável com a colaboração dos profissionais da pesca e daqueles que possuem alguma ligação freqüente com o mar (ex.: mergulhadores). A equipe faz questão de agradecer publicamente o apoio recebido até o momento por parte do setor produtivo permitindo o acesso às informações sobre as capturas. O projeto também aguarda a colaboração das operadoras de mergulho (40 já foram contatadas) objetivando localizar e informar sobre as posturas de ovos de polvos em nosso litoral.

No caso de que seja encontrado um polvo marcado, a equipe solicita que o fato seja comunicado ao Projeto POLVO através do telefone (ligação gratuita) 9-0-XX-13 . 284-1073, informando o número impresso, a cor e o tipo da marca, bem como o local e a data onde o animal foi capturado (e se possível o peso do animal). Aqueles que colaborarem com o Projeto receberão um brinde do Projeto. Contatos adicionais (maiores informações, solicitações de palestras, etc.) podem ser realizados pelo endereço eletrônico (e-mail) do coordenador do Projeto Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.