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A VOLTA A BARCELOS Imprimir E-mail

Data: 23 Novembro a 01 Dezembro 2013

Barcelos (AM)

A VOLTA A BARCELOS

Neste relato, inútil repetir dados perenes. Por isto, comecemos por rememorar nossa estréia em 2012: http://www.floripesca.tur.br/index.php?option=com_content&view=article&id=367:a-pesca-em-barcelos-novembro-2012&catid=40:relatos-de-pescarias&Itemid=65 .

Também importante é atualizar algumas informações, amealhadas por quem está trilhando este caminho pela segunda vez, como a metade de nosso grupo fez agora.

Barcelos tem vida econômica e social altamente sazonal, não dispõe de indústrias e os empregos são temporários, atrelados ao ciclo das águas do rio Negro.  A estação das chuvas está começando agora e se estenderá até Março, aproximadamente. Nesse lapso de tempo, cessa a temporada da pesca esportiva, filão turístico que injeta recursos anualmente na parca economia do município. O outro segmento que gera emprego é a captura de peixes ornamentais. Na soma, não dá quase nada, comparado com a maioria dos municípios brasileiros. Isto se comprova pelo baixo IDH (0,593), que só não é pior devido à longevidade dos barcelenses.

No geral, aparenta um povo feliz, que convive bem com suas limitações. É grande a mobilidade urbana e, nos festejos populares, a barranca do rio fica lotada de Famílias defronte a Igreja Matriz, onde são instalados brinquedos infantis e a praça de alimentação.

Neste ano, a telefonia móvel melhorou um pouco, com o compartilhamento da antena da VIVO com a TIM.

Desta vez, nossa chegada a Barcelos foi com um avião maior, ATR-42, com capacidade para 44 passageiros.  Na viagem regional, percebemos que o nível das águas estava bem próximo daquele verificado em 2012. A nebulosidade mais densa estava localizada entre Novo Airão (100 km de vôo de Manaus) e as proximidades de Barcelos, onde o céu estava bem aberto.

Todos embarcados na Lancha Julyana, partimos pelo rio Negro rumo Noroeste, já que as informações davam conta de que o afluente Demini estava com nível normal, enquanto os demais rios daquela micro-região já sofriam com repiquetes, originados por chuvas nas cabeceiras. Este processo de água nova num rio provoca mudança no Ph, na coloração e na temperatura da água, o que poderia dificultar a captura dos Tucunas com iscas artificiais.

Foi uma boa escolha, orientada por quem vive o dia-a-dia das lides fluviais. Próximo ao meio-dia, todos tinham montado seus equipamentos e planejado a estratégia da primeira tarde de pesca, que iniciou logo depois de um lauto almoço e de “una sonora siesta”.

Iniciamos os pinchos ainda no rio Negro, aproveitando as Lagoas marginais. Devido ao forte calor daquela hora, não houve tanta ação quanto esperado. Mas, serviu para acalmar a ânsia de estrear alguma isca nova ou para regular o pulso.

Logo os Tucunas começaram a dar eco ao esforço, com alguns exemplares dignos de uma boa foto. O Parceiro Ozol emplacou um Açu bem briguento, destaque daquela tarde inicial.

Depois seguimos rio acima, já dentro do Demini, que tem largura média de 150 metros e boa força de água, com muitos poços profundos, extensas praias alvas e belos barrancos de até 6 metros de altura, indicando o nível máximo da época da cheia. Pescamos próximo à foz do rio Aracá - este bem menor e já com alguma carga de água mais indicativa de repiquete.  A seguir, entramos numa grande Lagoa, que mais parecia um zoológico, de tanta ave de grande porte, como Aracuãs e Jacus-Ciganos, além de aves aquáticas. Os Tucunarés ficavam geralmente na entrada, na parte sombreada, à espreita das presas.

À noite, a Lancha Julyana ficou estrategicamente ancorada nas cercanias de pesqueiros consagrados de peixes-de-couro, para iniciar o segundo dia com o equipamento pesado. Logo que passamos a Comunidade Samauma, novamente a estrela do Ozol brilhou. Ele embarcou uma Pirarara de quase 15 kg e uma Arraia. As outras Lanchas conseguiram capturar alguns Filhotes (de Piraíba), além de Pirararas e Arraias. Foi um bom começo, na pesca de fundeio.

O encontro para o almoço foi próximo ao Pirico, uma das poucas referências terrestres rio acima. Alguns minutos adiante, outra bela Lagoa, que rendeu alguns Tucunas e um poderoso Açu nas iscas da Poseidon.  Meu Parceiro Ozol literalmente sentiu a pua, quando lançou uma isca Poseidon num vazio em direção à areia. Foi a isca bater na água e o gigante disparou com ela na boca por trás de uns 8 metros de vegetação costeira. Só víamos o lombo da “criança” singrando entre os arbustos, em água rasa, enquanto a carretilha cantava. Aproximamos a Lancha da pequena praia para melhorar o ângulo de tração do bruto, mas o peixe simplesmente engrenou uma reduzida e arrebentou com tudo, sem chance nem para fotografia.

Fomos à forra noutra Lagoa logo adiante, onde ferramos um trio simultâneo de belos Tucunarés-Açu, num fervedouro de peixes.

Como planejado, abríamos e encerrávamos cada dia com a pesca de fundo. Amanhecemos num lugar que tinha uma galhada bem fora do barranco do Demini. Joguei uma isca de Traíra e o Filhote de Piraíba meteu a cara, obrigando-nos a liberar o barco. Mais um peixe bom, devidamente fotografado e liberado.

Outro pernoite na região lacustre do Demini, ensejando fértil troca de informações a bordo e até o intercâmbio de tralha (anzóis 9/0 e 10/0 por chumbo 60 gramas, etc.). Amanhecemos pescando numa água mais rápida e, em seguida, na boca de uma Baia bem arborizada e cheia de Tucunarés.  Depois deles, já no fundeio, pegamos um dublê de Filhotes. Naquele dia, o paulista Carlos perdeu seu troféu, restando exibir o clipe da luta com enorme Piraíba, que se liberou depois de tomar quase duzentos metros de linha.

Subindo mais um pouco, entramos no Hemisfério Norte – façanha que já tínhamos feito na Lancha Kalua no rio Xeruiní, na vazante de 2010. Podíamos imaginar a curiosa sensação de pescar num Lago, com uma perna em cada lado do Globo.  

Como esperado, o calor era forte. Ao final das tardes, algumas nuvens suspeitas começavam a criar cenário para trovoada em alguns lugares. Num rio sinuoso daqueles, quase sempre havia uma “rota de fuga” das pancadas.

Nos dois dias finais, tivemos duplas que simplesmente tiraram a camisa de tanta ação nas artificiais.

Fazendo um “balanço” da produção, tivemos muitas capturas e também contabilizamos perdas de peixes grandes, tanto nas artificiais quanto nas iscas naturais. O maior peixe-de-couro embarcado foi uma Pirarara de 45 kg, capturada pelo Rodrigo Duclós. O maior Tucunaré foi capturado pelo Enio Felipe.

Enfim, foi uma aventura bem produtiva, tanto no campo da pesca quanto no da cultura, vivenciando episódios estranhos ao nosso meio sulista. Vimos ermas Comunidades nos barrancos e índios navegando a três dias de sua aldeia para buscar suprimentos (numa das canoas vimos 15 indígenas, desde um bebê sendo amamentado até idosos, que logo “sumiram” debaixo de uma grande lona para enfrentar uma pancada de chuva). É a vida que segue...

Na volta a Manaus, alguns pegaram seus vôos ainda naquele Domingo. Outros, aproveitaram para uma visita mais calma a alguns pontos turísticos, como a Ponte, o Teatro Amazonas, o Monumento à Abertura dos Portos, o Palácio Rio Negro e um rápido tour pela zona portuária e do Mercado Público, já sem movimento naquela hora. Na saída do luxuoso Millennium Hotel, passamos ao lado da Arena da Amazônia, um dos Estádios que sediarão jogos da Copa do Mundo de 2014.

Temos mais de 1.000 fotos e muitos clipes (inclusive das “perdas” dos gigantes). Parte deste material será utilizada para confecção de um CD musicado (usando fotos).

O teste completo com as iscas Poseidon vai ser relatado no blog daquela Fabricante.

Para 2014, temos pré-agendada a data de 29 de Novembro a 07 de Dezembro.

Nosso grupo:

Adilson e Carlos

Rodrigo

Ozol e Adão

José, Gil e Gean

Stringari e Rogério

Noal e Irineu

Ely e Enio