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Pescar no rio Paraguai é sempre um prazer, ainda mais a bordo de um excelente Barco-hotel e tendo como companhia um grupo tão seleto, composto de cinco casais, três duplas de adultos e de um menino.

O detalhe fica por conta da Família mineira, formada com o casal de avós (de meia-idade), um filho e um sobrinho, que veio com seu filho de apenas 10 anos.

Como doze pescadores eram de Floripa, fizemos uma reunião preparatória para entrar no clima, saber dos detalhes e, logicamente, nos apresentar. Aí é que começou a pescaria.

Enquanto o dia não chegava, todos recebiam orientações por e-mail, para homogeneizar o conhecimento do que nos esperaria num lugar desconhecido da grande maioria daqueles pescadores.

Finalmente, chegou o “dia D” e oficialmente, nossa viagem começaria no Aeroporto de Várzea Grande (MT), onde o transfer rodoviário aguardava para seguirmos rumo ao Porto de Cáceres, às margens do rio Paraguai.

Foi somente neste trajeto que nosso grupo efetivamente ficou completo e os mineiros contaram de seu tour antecipado por Cuiabá e Várzea Grande, nas 24 horas anteriores.

A chegada ao Barco-Hotel IEIÉ foi pelas 20 horas e a tripulação nos aguardavam para seguir viagem rio abaixo. Fizemos a abertura e a apresentação de todos e, em seguida, foi servido o primeiro jantar a bordo, já navegando.

As primeiras informações davam conta de que o rio Paraguai está sofrendo uma seca como há muito não se via. Isto afetou nossa estratégia de navegação, prevista inicialmente para tocar direto à região do rio Jauru, umas 6 horas rio abaixo, em circunstâncias normais.

Porém, após alguns esbarrões do protetor dos hélices nos bancos de areia, foi reduzida a velocidade e a parada daquela noite foi bem mais perto de Cáceres.

Ao amanhecer, retomamos a navegação enquanto montávamos nossa tralha de pesca. Foi difícil para o mineiro “baixinho”, aguardar o tempo de jogar a linha na água.

Chegou a hora e fomos todos ao rio. Naquela primeira manhã, extrapolamos um pouco o horário de retorno ao IEIÉ, pescando até próximo das 13 horas.  À tarde, pescamos até o Barco-Hotel nos encontrar pelo caminho, já próximo à Estação Ecológica de Taiamã, onde pernoitaríamos para pescar naquela região na manhã seguinte e atravessaríamos a Reserva durante a tardinha, para ver se alguma Onça Pintada poderia ser avistada. BINGO!  O felino, um filhotão curioso, do tamanho de um cachorrão, estava num descampado do barranco, entre os capins, observando aqueles invasores que entravam em sua área de atuação. Rendeu boas fotos.

Seguimos adiante até sairmos da Reserva, cinco horas após, já com a noite iluminada pela Lua quase cheia, o que ainda permitia vislumbrar vultos alados de grandes pássaros caçadores.

Na terceira noite, o foco do assunto era o próximo dia, num pesqueiro consagrado, que se estendia do Aterradinho até o Baguari, passando por várias pequenas lagoas que literalmente jogavam iscas vivias para dentro do rio Paraguai. E os predadores – peixes e aves - rondavam aquelas águas nutritivas, para nossa alegria. Era muito peixe.  Até ali, os maiores troféus foram capturados pela pescadora Izabel: uma Cachara de 98 cm (8,5 Kg) e um Barbadão de 6,5 kg. Este foi o maior exemplar daquela espécie que eu já vi.

A incursão naquelas abençoadas águas se estendeu até a tarde da Terça, quando nosso “inventário” registrava acima de 300 peixes capturados, entre os “de medida” e os “sem”. E mais uma Onça, agora adulta, foi clicada.

Como a viagem previa apenas cinco dias de pesca, iniciamos o retorno ao entardecer, para apoitar na Piúva, já do lado Norte da Estação Ecológica, onde recomeçamos a pesca bem cedinho. Antes das 9 horas da manhã, o dentista mineiro Ranieri embarcou um Pintadão de 1,21 m, pesando exatos 19,640 kg (bati a foto da Balança Digital indicando o peso). Na mesma hora, aquela imagem foi para a montanhosa Lavras, em Minas Gerais, provocar os seguidores do Facebook, graças à interiorização da telefonia móvel no Pantanal.

No geral, a pesca foi muito variada, com 17 espécies capturadas, sendo as principais: 131 Pintados e Cacharas, 76 Barbados, 105 Palmitos, 90 Cachorras e 61 Jurupensens (Bico-de-pato). No total, capturamos 542 peixes, dos quais trouxemos uns 70 exemplares para degustação. Resumo: 345 peixes de medida e 197 sem medida ou de pesca proibida, caso do Dourado, que continua no defeso. Um feito, para menos de 5 dias de pesca, mercê dos atolamentos no assoreamento que a irresponsabilidade do Ministério dos Transportes (DNIT) joga contra os armadores do turismo fluvial, prejudicando a economia regional como um todo. E olhe que estamos falando de um rio de mais de 2.200 km. de extensão, cuja bacia se estende ao Paraguai e à Argentina, onde deságua no Paranazão em Paso de Pátria, na Província de Corrientes.

OBS.: a dragagem deve ser feita anualmente em Julho, quando o rio Paraguai ainda tem água suficiente para permitir alternativas de navegação, enquanto a draga escoa a areia da margem oposta. Porém, a tal burocracia mata o Brasil...Só que agora, os empresários cacerenses se uniram e foram ao Ministério Público, para cobrar automaticidade ao procedimento e nunca mais aconteça o descaso deste ano.  Um de nossos Piloteiros e que também é Comandante, o Aloísio, está em Corumbá buscando a draga, que começará em 7 dias a dragagem, com resultado imediato nos pontos mais críticos.

Para 2014, já estamos agendando uma pescaria até a Reserva para Maio (no início da vazante, com muito peixe e pouca praia de areia) e duas para Porto Jofre após a Copa (uma de ida e outra de volta). Porém, quem pesca, tem pouco tempo para visitar os hotéis, as fazendas, o sítio do Marco do Jauru e os pequenos rios tributários que escondem as mais bonitas Vitórias-régias.  Por isto, teremos uma 100% ecológica para a seca do final de Setembro (sem pesca, com 4 dias de navegação, para ver planta e bicho até dizer chega).

Falando em bicho, nesta pescaria de Agosto vimos e fotografamos Macaquinhos, Bugios, Capivaras aos montões (até uma família, com 11 membros), duas Onças, Ariranhas, Esquilo, Camaleão, Jacarés e uma Cobra.

Para quem gosta de Aves, um show, com Garça, Colhereiro, Trinta-réis, Biguá, Mergulhão, Cardeal e Galo-da-Campina, Mutum, Jacutinga, Socó-boi, Baguari, Tuiuiú, Cabeça-seca, Pato selvagem, Martin-pescador, Pica-pau, Pomba-rola, Pomba do mato, Pomba Juriti, a enorme Pomba “tocá”,  o ruidoso Aracuã, Quero-quero, Coruja, Anhuma,  Papagaio, Periquito, Arara, Japuíra, João Pinto, Bem-te-vi, Saracura, Urubu e os Gaviões das espécies Caramujeiro e Preto e o bonito Carcará (na verdade, este é um falconídeo, erroneamente denominado de “águia brasileira”) .

A vegetação de grande porte que mais chama a atenção nesta época é o Ipê Roxo, cuja floração está no auge. Outras árvores frondosas que se destacam são Mangueiras (com frutos), Sibipirunas e Aboboreiras (também floridas), Ingazeiros, Carandás, Bambuzais, Imbaúbas e o Cambuí (mais conhecido como Camboim).

Já a vegetação típica do Cerrado está mais presente no trajeto rodoviário entre Cáceres e Cuiabá e as plantas aquáticas como a Vitória-régia e o Aguapé embelezam as margens das lagoas e do rio Paraguai. As Pacovas têm concentrações à beira-rio, como se fossem extensos bananais.

O grupo, além de pescar bem, era muito bom de foto também. Temos aproximadamente 1.200 fotos e muitos clipes (capturas de peixe, brincadeiras das Ariranhas, etc.), para subsidiar a edição de um CD bem porreta.

Poderíamos imaginar algum desconforto no convívio, juntando num mesmo barco homens, mulheres e uma criança, ou mesmo pela gama de origens (7 catarinenses, 5 mineiros, 4 gaúchos e uma sul-mato-grossense), mas tudo fluiu de maneira muito harmoniosa. Menino precoce e bom companheiro, o pequeno Ranieri foi "adotado" como mascote do grupo. Aliás, aqueles novos Amigos honram a tradição mineira de bom berço familiar. Como dizem modernamente, foi "tudo de bom". Até a próxima!

Nossos pescadores e seus Piloteiros:

Bruno + Ranieri (pai) + Ranieri (filho) e Piloteiro Albéris

Atanásio + Maria Lúcia e Piloteiro Aloísio

Mauro + Josiane e Piloteiro Paulo

Diaumir + Adélia e Piloteiro Adão

Rui + Izabel e Piloteiro Ditinho

Alcione + Simone e Piloteiro Dêva

Cássio+ Maurício e Piloteiro Edson “Barba”

Luiz Darci + Adão e Piloteiro Agnaldo

Tripulação:

Comandante Carlos

Mecânico Paulinho

Chef Cozinha Chiquinho

Ajudante Jonathan

Taifeiro Robson