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A PESCA EM BARCELOS (Novembro 2012) Imprimir E-mail

Já pesquei em muitos lugares, guardo deles boas lembranças e até me permito dizer que ainda recordo de muitos detalhes de cada pescaria.

Ao longo do tempo e com dedicação, fui acumulando informações dos pescadores sobre Barcelos, com a certeza de um dia as utilizar.

Agora, chegou a vez daquele pesqueiro entrar para um currículo que não tem limites e nem exigências: basta ter peixes e a companhia de alguns amigos, para encarar o desafio.

E assim o fizemos. Grupo fechado, passagens adquiridas e barco-hotel  reservado, começamos a sonhar mais concretamente a partir de agosto de 2012, quando novas prioridades passaram a povoar nossas mentes, nessa altura já irrigadas pela mítica do rio Negro e de seus famosos Tucunarés.

Nas andanças da vida, descobrimos que não é preciso matar peixe para realizar uma boa pescaria. Ainda mais numa época na qual a digital nos permite filmar, fotografar, deletar e até editar a mídia, segundo o nosso gosto.

Isto não é pouco. Trazer o peixe numa caixa térmica passou a ser um tremendo incômodo – isto, apenas falando do peso, que gera excesso de bagagem, custos, volume no avião, no transfer, no hotel e no aeroporto -, sem contar com o mais importante de tudo, que é a certeza de que aquele peixe nunca mais dará alegria a alguém, depois de jantado.

Graças a esta conscientização, adotada por muitos e com tendência a se perpetuar, cada vez mais teremos a alegria de retornar das pescarias com a consciência mais leve e com lembranças inesquecíveis. Existe até um estudo econômico que mostra que o peixe vivo rende muitas vezes mais do que um peixe que foi abatido. É nosso compromisso com o futuro.

A região amazônica foi pioneira nesta luta pela liberação dos peixes e nem por isto ficou sem público fiel. Claro que comer peixe lá, de forma moderada e dentro das medidas consideradas ecologicamente corretas, não afetará o equilíbrio.

Olhemos Barcelos! Um celeiro de opções, do “embaixador” Tucuna aos grandes peixes-de-couro, passando pelos peixes ornamentais que colorem os aquários do mundo todo. E lá tem alternativa para todo tipo de pescador, quer pesque de forma bem intensiva (como um trio de nosso grupo que pegou 115 Tucunas numa tarde) quer prefira uma jornada mais descontraída, quase “light”, dando maior ênfase às fotografias e filmagens daquela diversidade botânica e animal.

Pense comigo! Existe outro lugar onde um pequeno grupo de pescadores fica quase uma semana pescando, rodando pouco e enfrentando muito peixe voraz, a ponto de alguns chegarem a ter dor no braço de tanto lutar com os Tucunarés? Segredo: o que salvou os fisicamente menos preparados foi pegar uma sombra debaixo de alguma árvore ribeirinha, trocar o equipamento de arremesso para o barra-pesada de fundeio, jogar uma cabeça de Traíra como isca e bater um papo restaurador, até que a fricção cante e acabe com aquela vida mansa.

Aí, literalmente o bicho pega, pois as Piraíbas e seus Filhotes, as Pirararas e os Capararis não dão trégua, depois da arrancada inicial. O que alivia é a esperteza dos Piloteiros, que fazem das tripas coração para ajudar o Pescador a se consagrar também na modalidade de pesca fundeada.

Nosso grupo mal voltou e já está pensando na de 2013, quando teremos a nosso lado mais um fator altamente positivo: a experiência. Lidar com os Tucunarés é mais produtivo para quem maneja bem iscas artificiais, mas lutar com brutos de couro exige preparo e equipamento igualmente bruto. A única alternativa para brincar com os pesadões sem se comprometer numa luta desigual é usar um anzol 7/0, que abrirá se o peixe for maior do que 25 kg.

O anfitrião, Julinho, proprietário das Lanchas Karen Julyana (17 lugares), Julyana (13 lugares) e Conquest (8 lugares), presta excelente serviço, contando com  ótimos Piloteiros, todos da terra e que conhecem cada meandro daquele labirinto amazônico.

Algumas particularidades dessa viagem:

- Manaus é passagem obrigatória e o ideal é ir uns dois dias antes ou ficar depois da pescaria. Um citytour bem programado permitirá conhecer muita história, cultura, gastronomia e arte manauara. Não deixe de se hospedar no Hotel Tropical de Manaus (patrimônio histórico que a VARIG edificou nos “bons tempos” e que, com diária bem razoável, dá um banho de atendimento). Tem zoológico, piscina com ondas e outras mordomias, incluindo ótima gastronomia. Presidente Figueiredo, a 103 km dali, tem dezenas de cachoeiras;

- O transfer aéreo regional – realizado num avião Bandeirante fretado para 15 lugares - já está incluso no preço do pacote e dura apenas 70 minutos, contra 12 a 36 horas de barco comercial;

- Barcelos não tem ligação rodoviária com outras cidades, fica a 396 km de Manaus via aérea e 480 km de navegação pelo rio Negro;

- a bagagem pode ser mais enxuta porque tem serviço de lavanderia a bordo;

- não precisa de hotel em Barcelos porque os pescadores vão direto do aeroporto ao Barco-Hotel; e,

- até agora, somente a VIVO tem telefonia móvel na cidade.

Curiosidades:

- muitas aves conhecidas, algumas com outros nomes, sobrevoam e cantam o dia todo. Uma novidade foi assistir o vôo e depois, o belo canto do Japó, cor amarela e cinza, parente do Tucano, porém de bico bem curto. Anda em bando, constrói sua casa em árvores altíssimas e é harmonioso no cantar;

- outras aves: Gaviões de vários tamanhos e matizes, Martim-pescador, Japuím (a Japuíra do Pantanal), Beija-flor, Garça, Flamingo, Trinta-réis, Coruja, Tucano, Pato selvagem (grandão, preto e branco), Marreca, Aracuã, Jacu, Pica-pau, Pomba, Jacutinga, Arara, Papagaio, Sabiá, João-de-barro e uma centena de pequenas espécies;

- animais de grande porte, como o Jacaré-Açu, estavam por toda a parte;

- a vegetação é muita variada, na maior parte passível de viver quase meio ano submersa pela cheia sazonal. Árvores frondosas, Arbustos, Trepadeiras, Bromélias, Gibóias, Javaris (Palmeiras espinhentas), Cuia-de-macaco, Pau Mulato (cor marrom escura), Piradabi (a casca tem efeito anti-diarréico) e muitas outras plantas medicinais.

- a água do rio Negro tem Ph básico que mata os mosquitos, o que torna ainda mais tranqüilo viver naquele paraíso. Só não a pode consumir, senão a barriga vai reclamar;

- o rio estava bem baixo, com tendência a esvaziar ainda por algumas semanas, pois as chuvas estão mais ao Norte do Brasil;

- a navegação é muito segura e a pesca é pratica em lugares rasos, em lagoas semi-ocultas e em vertedouros de água rápida;

- pescamos sob forte influência da lua nova; e,

- o calor se aproximava diariamente dos 40 graus.

Equipamento e os Peixes:

-como as linhas multifilamento eram mais recomendadas para os arremessos de artificiais, optamos por não colocar leader de aço. Pouca Piranha e as Bicudas só levaram uma isca de minha dupla;

- na pesca pesada, o monofilamento acima de 0,80 mm é recomendável, pois não existe blindagem contra a força dos brutos e a pauleira onde os peixes se escondem;

- fiz um teste bem puxado das Iscas Poseidon, brasileiras desde a concepção, para ver as que melhor atraíam os peixes. Capturei meus melhores exemplares com elas. Depois farei um relato detalhado, que estará no site http://www.poseidonbrasil.com.br/ ;

- espécies de Tucunaré que pescamos: Açú (grandões), Paca (muito brigões), Borboleta (lindos) e Popoca (é o “genérico” de várias espécies de pequeno porte);

- outras espécies de peixes: Pirarara, Piraíba e seu Filhote (assim denominado quando abaixo de 70 kg.), Caparari, Cachara, Pacu, Bicuda, Piranha, Arraia, Traíra, Arari, Cará Azul e outros peixes de menor expressão;

- à noite, batendo um papo no costado da Lancha Julyana, era comum ouvir a violenta rabanada das Piraíbas e dos Pacus, caçando suas presas a poucos metros do barco.

Pescadores/duplas e trio:

Breda e Adão

Enio e Ozol

Rogério e Stringari

Ricardo e Carlos

Flávio (pescou sozinho)

José, Gil e Gean (12 anos)