Home Relatos de Pescarias BIG FISH AQUECENDO PARA A TEMPORADA OCEÂNICA 2011/2012

Pesquise no site


Designed by:
BIG FISH AQUECENDO PARA A TEMPORADA OCEÂNICA 2011/2012 Imprimir E-mail

No início de Novembro, ficamos alguns dias aproveitando a presença de água com ótima temperatura e a conseqüente presença de cardumes de Dourados-do-mar. Entretanto, esta alegria antecipada tinha seus dias contados, com a chegada de um Cavado (grande área de baixa pressão). O resultado foi desastroso porque os já comemorados 24 graus de TSM - Temperatura da Superfície do Mar caíram para algo em torno dos 21 Celsius.

 

Porém, todo pescador é um otimista. Agüentamos o jejum por quase 10 dias e ainda por cima, retardamos em 24 horas a saída com a Lancha Big Fish, que finalmente foi ao mar na Sexta, apesar das previsões de que a TSM na região de Floripa não superaria os 21,5 graus. Claro que outros fatores também pesaram na decisão de irmos à luta, afinal, tínhamos a nosso favor o fato de que um Centro de Alta Pressão estava se instalando e que uma pequena brisa de Vento Sul seria outra grande aliada.

Dito e feito. Com o Mário na boléia, Alex, Nilsson e Adão cheios de esperança, encaramos a madrugada e pelas 6 horas, já deixávamos para trás o Canal da Barra da Lagoa, rumo Leste, com boa navegação, vários sinais de vida no entorno e o papo cada vez mais centrado nas grandes experiências acumuladas por cada um. Claro que ninguém queria simplesmente repetir sua boa performance de outrora. Queríamos muito mais, já que a generosidade de emoções do Mar não tem limites.

A partir dos 50 minutos de navegação, não descolávamos o olhar da Sonda, tanto para acompanhar a progressão da profundidade quanto da temperatura – e este era o dado mais importante naquele momento.  Porém, teimosamente, só a primeira aumentava...

Mesmo assim, montamos o esquema de ataque com dois Outriggers e mais quatro varas, utilizando iscas artificiais em formato de Lulas. Além disto, enorme Teaser com cores imitando um Douradinho foi rebocado na terceira ondulação da Lancha. Aparentemente, “tudo em cima” para a briga com os bocudos.

Vimos pássaros mergulhando ou dando seus rasantes e logo rodamos em cima de quatro cardumes de pequenos Atuns, mas estes não atacaram os petiscos, possivelmente muito grandes para eles.

O Capt. Mário passou um rádio para o Giba, da Lancha Gara, que havia optado por uma direção mais Norte. Colhemos a notícia de que lá a água estava um pouco mais quente.   Decidimos tomar também um rumo mais ao Norte, sem descolar os olhos do termômetro. Apuramos nosso faro e passamos a fazer uma “leitura” mais atenta das circunstâncias.  Deu certo.

A melhor prova de que estávamos a passos da glória foi que logo avistamos brilhos altamente dinâmicos, indicando salto de peixes. Um colírio para nossas vistas, cansadas de tanto ver miragens.

Valeu novamente nossa persistência, pois não ignoramos nenhum sinal da espécie, mesmo que este resultasse em frustração. Por conta disto, em alguns momentos, chegamos a externar nossa indignação, com expressões: “não é possível”, “ tem que ter bicho grande debaixo desses baixinhos”, “não acredito”, “vão ter que aparecer”, “estamos fazendo tudo certo” e por aí a fora.

Água mole em pedra dura...BINGO! Um discreto salto brilhou a uns 600 metros a Nordeste e, pela enésima vez, mudamos o curso, orientando o Mário para a suposta direção.

No final do caminho para lá, o freio de uma das Carretilhas mostrou serviço, oportunizando ao Nilsson fazer o primeiro embarque, de um Atum de bom porte.  Esse exemplar foi nosso convidado especial para um Sashimi, produzido a bordo pelo Chef Alex Floyd, que prevenidamente levou Limão e Raiz Forte, já antevendo sucesso.

Mas a maior surpresa ainda estava oculta: um Palete de madeira, possivelmente caído de algum cargueiro transatlântico, como o que vimos passar próximo da costa. O Mário fez uma aproximação bem audaciosa daquele valioso atrator flutuante e assim, dois Dourados meteram a cara.

Noutra manobra bem calculada, tivemos grande momento frenético quando inicialmente três Dourados atacaram, de forma  simultânea.

Novamente a experiência e a agilidade do Mário fizeram a diferença, quando ele recolhia as varas ociosas – assim limpando o convés para nós - e foi gratificado por um quarto Dourado, muito doido, que pegou a isca em pleno recolhimento. Logo recolocou aquela vara premiada no suporte e nos orientou a jogar os bravos Dourados dentro do viveiro da Big Fish, com iscas e tudo o mais, até que acalmasse a zoeira a bordo. Com aquela baderna, nem deu para tirar fotos ou tentar filmar a ação de algum dos pescadores. A adrenalina subiu mais ainda quando avistamos dezenas de outros Dourados debaixo da Lancha, “encachorrados”, tentavam abocanhar as iscas dos capturados. Foi loucura total.

Passado esse precioso momento, partimos a busca de novas emoções, logo saciadas com a localização de um arrieiro onde os Atuns davam espetáculo. Capturamos mais alguns.

Nesse dia, as condições climáticas foram favoráveis, com Vento Sul fraco, lindíssima água azul a partir da linha dos 60 metros de profundidade, a TSM chegou aos 22,8 graus nos 100 metros e visibilidade acima dos 15 metros.

Durante todo o tempo e antes da linha dos 100 metros, muitos e diversos sinais de vida, tanto alada (Gaivotas e Trinta Réis, principalmente) quanto aquática (Baleia, Peixe-Lua, Tartaruga, uma dúzia de cardumes de atunídeos, um cardume de Cavalinhas e até algumas Tainhas).

Nossa pescaria foi projetada para rodar a 7 nós horários, a 2.200 giros na parelha de 90 HP, com as iscas calculadamente distanciadas da popa e entre si, com trabalho diferente e com cores variadas.

No final da pescaria, contabilizamos 14 peixes ferrados (9 Dourados acima de 1 metro cada e 5 Atuns, sendo o maior com 4,5 kg). Tivemos cinco fugas e ainda soltamos um Dourado, que mal dava um metro de comprimento.

Nada mau, para quem foi atrevido a ponto de colocar a esperança à frente da lógica. Já fico imaginando o que nos aguardará doravante, já que essa água só vai esquentar, ao menos até meados de Abril 2012.